Entidades de Saúde Alertam para os Perigos dos Vapes.Notícia

Entidades de Saúde Alertam para os Perigos dos Vapes.

20/08/2024 14:17:09

*Atualizado em: 01/02/2026 13:46:45

Está previsto para entrar em votação hoje (20 de agosto de 2024), no Senado, o Projeto de Lei nº 5.008/2023, que visa regulamentar a produção, importação, exportação, comercialização e o consumo dos cigarros eletrônicos, além de estabelecer regras. Os dispositivos eletrônicos de fumar, também conhecidos como "vape" ou "pod" se tornaram populares, principalmente entre os jovens por serem tecnológicos, bonitos, com aromas e sabores. A comercialização do produto é proibida no Brasil desde 2009. Mesmo com a ilegalidade da compra, uma pesquisa realizada pelo Ipec apontou que 2,9 milhões de adultos brasileiros utilizavam esses dispositivos em 2023.

Cerca de 80 entidades de saúde e ciência assinaram uma nota oficial reforçando sua posição contrária ao Projeto de Lei, destacando a possível ameaça à saúde pública. Elas alegam que, em comparação ao cigarro tradicional, o uso de cigarros eletrônicos traz ainda maior risco de desenvolvimento de câncer, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios. Além disso, há o surgimento de uma nova doença, denominada Evali (Doença Pulmonar Associada aos Produtos de Cigarro Eletrônico ou Vaping), que pode levar o paciente à UTI ou até à morte, devido à fibrose e outras alterações pulmonares causadas pela doença.

A Senadora Soraya Thronicke, criadora da PL, indica que a regulamentação traria mais transparência e segurança para os consumidores. Incluindo informações na rotulagem sobre os ingredientes e advertências de saúde, controle de qualidade, além da venda restrita para maiores de 18 anos, o que poderia reduzir os riscos associados ao comércio ilegal sem fiscalização. Outro argumento de defesa é a arrecadação de tributos relacionados à venda desses produtos. No entanto, as entidades contrárias afirmam que os gastos relacionados à saúde pública seriam ainda maiores, devido ao tratamento das possíveis doenças geradas pela utilização desses cigarros. 

Uma pesquisa realizada pela Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de São Paulo, em parceria com o Instituto do Coração (Incor) e o Laboratório de Toxicologia da Universidade de São Paulo (USP), divulgada em junho deste ano, descobriu que o vape pode causar intoxicação em níveis mais severos do que o cigarro tradicional. Nesse estudo, foram analisados 200 usuários de cigarros eletrônicos, e foi detectado que os níveis de nicotina encontrados nesses fumantes eram de três a seis vezes maiores comparados aos dos usuários de cigarro tradicional.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 13% das mortes anuais no Brasil estão relacionadas ao tabagismo, totalizando aproximadamente 161 mil mortes anuais. Suas toxinas podem causar doenças respiratórias, como enfisema pulmonar, doenças cardiovasculares, dermatite e câncer.

O narguilé pode ser ainda mais prejudicial. Dependendo do tempo, cada sessão pode equivaler a fumar 100 cigarros. Além das doenças citadas, o narguilé pode atrair doenças infectocontagiosas, a partir do compartilhamento da piteira entre os usuários.

Fontes: ACTBR; INCA; O Globo; Correio Braziliense; Congresso Nacional.

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